Geólogo,
geógrafo, paleontólogo e aventureiro,
Maack é considerado por muitos o primeiro
ambientalista do Brasil. Antes de se fixar no
país, em 1923, ele já havia consolidado
fama internacional. Em 1917, descobriu, na Namíbia
(país do sudoeste da África), no
monte Brandberg, o conjunto de pinturas rupestres
conhecido como Dama Branca (White Lady).
Entre seus trabalhos premiados destaca-se o estudo
intitulado “A Deriva Continental”,
que comprova a teoria Gondwânica, segundo
a qual os continentes americano e africano foram
unidos em um passado remoto. Esse trabalho rendeu
a Maack um prêmio concedido pela Unesco,
órgão da Organização
das Nações Unidas.
Depois de viver por um período no Rio de
Janeiro, Maack mudou-se para Curitiba, para trabalhar
como engenheiro de minas da Companhia de Mineração
e Colonização Paranaense. Mas nunca
abandonou suas pesquisas. A partir de 1926, chefiou
expedições pelos então selvagens
rios Tibagi e Ivaí. Fez estudos geológicos
das bacias desses dois rios que cortam o estado,
registrando aspectos da flora e fauna.
Já em 1949, ele previu o futuro ambiental
do Paraná, apontando os riscos da erosão
do solo e a mudança climática que
seria provocada pela devastação
da mata. “Devemos proteger as matas e promover
mais sistemáticos reflorestamentos. |
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Infelizmente, nesses últimos anos, não
percebi nenhuma séria reação
neste sentido e, em conseqüência disso,
sou pessimista quanto ao destino das matas do
Paraná”, declarou Maack. Hoje, restam
apenas 4% da cobertura florestal original do estado.
Em suas expedições, Maack conquistou,
em 1941, na Serra do Mar, o Pico Paraná
– ponto culminante do Sul do Brasil –,
batizado por ele próprio. Na Serra dos
Dourados, Noroeste do estado, ele fez, em 1961,
os primeiros contatos com a tribo indígena
xetá, hoje praticamente extinta. Nesse
contato, Maack foi acompanhado por seu genro,
especialista em linguagem indígena, e um
cinegrafista.
Segundo Alessandro Casagrande, diretor da consultoria
Lobo-Guará, o próprio Maack registrou
seu trabalho, por meio de fotos, filmes e descrições
dos ambientes que explorou. Esse fator contribuiu
para o resgate do trabalho do pesquisador, com
riqueza de imagens e referências.
Maack também atuou como professor da Universidade
Federal do Paraná (UFPR). Deixou várias
obras fundamentais para a compreensão do
estado, como Geografia Física do
Estado do Paraná –publicada
em 1968 e até hoje uma obra de referência
na área– , o Mapa Fitogeográfico
do Estado do Paraná (1950), o Mapa Geológico
do Estado do Paraná (1953), A Serra
do Mar no Estado do Paraná e A
Água e o Subsolo da Bacia do Paraná-Uruguai.
Ele morreu em Curitiba, em 26 de outubro de 1969.
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