A importante contribuição do visionário alemão Reinhard Maack (1892-1969) para o meio ambiente brasileiro está sendo resgatada pela Consultoria Ambiental Lobo-Guará, de Curitiba (PR). O processo de recuperação desse acervo foi iniciado em 2000, com a colaboração da família de Maack. O resultado do trabalho pode ser visto na exposição “A História Ambiental do Paraná de Reinhard Maack”.

A mostra apresenta 50 fotos em preto e branco e um filme em 16 milímetros, feitos pelo próprio pesquisador, além de um terminal multimídia, com informações sobre o trabalho de Maack. Em 2005, a mostra foi levada à Alemanha. Esteve no Museu de História Natural de Karlsruhe e na cidade natal de Maack, Herford, onde uma cópia do material está em exposição permanente, no museu municipal.
 
O Primeiro
Geólogo, geógrafo, paleontólogo e aventureiro, Maack é considerado por muitos o primeiro ambientalista do Brasil. Antes de se fixar no país, em 1923, ele já havia consolidado fama internacional. Em 1917, descobriu, na Namíbia (país do sudoeste da África), no monte Brandberg, o conjunto de pinturas rupestres conhecido como Dama Branca (White Lady).

Entre seus trabalhos premiados destaca-se o estudo intitulado “A Deriva Continental”, que comprova a teoria Gondwânica, segundo a qual os continentes americano e africano foram unidos em um passado remoto. Esse trabalho rendeu a Maack um prêmio concedido pela Unesco, órgão da Organização das Nações Unidas.

Depois de viver por um período no Rio de Janeiro, Maack mudou-se para Curitiba, para trabalhar como engenheiro de minas da Companhia de Mineração e Colonização Paranaense. Mas nunca abandonou suas pesquisas. A partir de 1926, chefiou expedições pelos então selvagens rios Tibagi e Ivaí. Fez estudos geológicos das bacias desses dois rios que cortam o estado, registrando aspectos da flora e fauna.

Já em 1949, ele previu o futuro ambiental do Paraná, apontando os riscos da erosão do solo e a mudança climática que seria provocada pela devastação da mata. “Devemos proteger as matas e promover mais sistemáticos reflorestamentos.
 
Infelizmente, nesses últimos anos, não percebi nenhuma séria reação neste sentido e, em conseqüência disso, sou pessimista quanto ao destino das matas do Paraná”, declarou Maack. Hoje, restam apenas 4% da cobertura florestal original do estado.

Em suas expedições, Maack conquistou, em 1941, na Serra do Mar, o Pico Paraná – ponto culminante do Sul do Brasil –, batizado por ele próprio. Na Serra dos Dourados, Noroeste do estado, ele fez, em 1961, os primeiros contatos com a tribo indígena xetá, hoje praticamente extinta. Nesse contato, Maack foi acompanhado por seu genro, especialista em linguagem indígena, e um cinegrafista.

Segundo Alessandro Casagrande, diretor da consultoria Lobo-Guará, o próprio Maack registrou seu trabalho, por meio de fotos, filmes e descrições dos ambientes que explorou. Esse fator contribuiu para o resgate do trabalho do pesquisador, com riqueza de imagens e referências.

Maack também atuou como professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Deixou várias obras fundamentais para a compreensão do estado, como Geografia Física do Estado do Paraná –publicada em 1968 e até hoje uma obra de referência na área– , o Mapa Fitogeográfico do Estado do Paraná (1950), o Mapa Geológico do Estado do Paraná (1953), A Serra do Mar no Estado do Paraná e A Água e o Subsolo da Bacia do Paraná-Uruguai. Ele morreu em Curitiba, em 26 de outubro de 1969.

 









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