Dividida em três módulos, a exposição apresenta um conjunto de 76 obras, entre pinturas, esculturas, relevos, desenhos e gravuras. São paisagens, cenas urbanas, desenhos de arquitetura e composições que testemunham os eventos históricos e as personalidades do início do século 19. Os trabalhos representam o importante legado construído e deixado por artistas plásticos integrantes da Missão Artística Francesa, que veio ao Brasil a convite da corte portuguesa, após a transferência da sede da corte de Lisboa para o Rio de Janeiro.

Chefiados pelo intelectual Joaquim Lebreton (1760-1819), faziam parte da Missão os pintores Jean Baptiste Debret (1768-1848) e Nicolas Antoine Taunay (1755-1830), o gravador Charles Simon Pradier (1786-1848), os escultores Auguste Marie Taunay (1768-1824), os irmãos Marc (1788-1850) e Zepherin Ferrez (1797-1851) e o arquiteto Grandjean de Montigny (1776-1850).

Um dos núcleos é dedicado aos personagens que tornaram possível a vinda desses artistas para o Brasil. Neste segmento são exibidas obras em que são retratadas personalidades da época como D.João VI e o Conde da Barca. O segundo reúne trabalhos dos artistas da Missão, onde são apresentadas as pinturas de Taunay e Debret, os desenhos de arquitetura de Montigny, as gravuras de Pradier e os relevos e esculturas dos irmãos Marc e Zepherin Ferrez.

O último módulo é constituído por obras de artistas que fizeram parte da primeira geração de alunos da Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), estruturada pelos integrantes da Missão. Entre esses alunos estavam os pintores Manuel de Araújo Porto Alegre (1806-1879) e August Muller (1815- 1883), o escultor Francisco Manuel Chaves Pinheiro (1822-1884) e o arquiteto José Rodrigues Moreira (1828-1898), além de outros.

As obras fazem parte do acervo do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), que guarda o espólio francês, composto por mais de 300 trabalhos. O acervo construído pelos franceses inclui obras que Lebreton trouxe da Europa para servir como modelos, no ensino da arte, e que foram vendidas ao governo imperial, posteriormente.

A Missão

A Missão Artística Francesa chegou ao Brasil em março de 1816, em um período em que há uma nova organização política no Brasil e na Europa. A corte portuguesa havia se instalado no Brasil, criando aqui o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Enquanto a França vivia os reflexos da queda de Napoleão, em 1815. Com o objetivo de oficializar o ensino das artes e criar uma escola de artes e ofícios na capital do Reino Unido, a corte portuguesa, a pedido do príncipe regente D. João VI, apóia a criação e a vinda da Missão.

“Havia certa implicância com a chegada da Missão. Interessante que essa resistência partiu daqueles que eram considerados os modernistas da época. Achavam que eles haviam interrompido a evolução da arte brasileira, colonial, do barroco e do rococó, que já estavam decadentes. Eles foram os principais responsáveis pela difusão do neoclassicismo, que era a nova estética. Na minha opinião, a vinda deles foi muito benéfica e provocou uma grande transformação por aqui”, afirma Pedro Xexéo, que assina a curadoria da mostra ao lado de Laura Abreu e Mariza Guimarães Dias. Xexéo também é um dos autores do livro “A Missão Francesa”. O curador destaca que, antes da chegada da Missão, houve uma experiência neoclássica isolada do arquiteto italiano Giuseppe Antonio Landi, em Belém (PA).

Segundo o curador, grande foi a contribuição francesa para a cultura brasileira. Além de obras memoráveis, muitas até hoje preservadas, foram os artistas da Missão os responsáveis pela formalização do ensino das artes no Brasil e pela “formação de inúmeras gerações de artistas brasileiros do século 19”. Dez anos após a chegada deles, em 1826, foi criada a Academia Imperial das Belas Artes, posteriormente transformada na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

 

 

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