| |
|
|
| |
|
|
| |
O trabalho com os opostos –a água e a terra, a mecânica dos fluidos e a mecânica dos sólidos, o masculino e o feminino, é a proposta desta exposição. Ao refletir e discutir as relações entre os dois elementos da natureza, os três fotógrafos integrantes da mostra passam por questões fundamentais da teoria da Cultura. Com o patrocínio de Russell Reinolds Associates e o apoio do Governo do Paraná e Caixa Econômica Federal.
As 53 obras em exibição estabelecem relações sobre a presença da água na fronteira com a terra, elementos marcantes na produção da americana Carol Armstrong, do carioca Fernando Azevedo e do paulistano Leonardo Kossoy. Sob a ótica de cada um é demonstrada a capacidade simbolizadora da matéria –água e terra – e os fotógrafos reunidos imprimem uma interpretação contemporânea para tratar do nomadismo da vida atual, da vulnerabilidade do ser, da relação entre natureza e cultura.
|
|
| |
|
|
| |
Água e Terra
Onde a água encontra a terra? Nas encostas de um cânion, no rio, no mar, na chuva que precipita, no ventre, na interferência de um corpo imerso, na escassez da água ou em um recipiente que molda, que a água submete? Nessas imagens água e terra desdobram-se em signos, símbolos e metáforas, no projeto de cada fotógrafo.
Para a americana, água e terra simbolizam o masculino e o feminino, o sólido e o fluido. O carioca encontra na água os indícios da vida cotidiana e na terra a urbanização moderna. Enquanto o paulistano se põe a viajar pelo mundo e, no Mediterrâneo, encontra sua relação particular entre luz, geografia, história da arte e fotografia. Estes são apenas rápidos aspectos superficiais da obra de cada um, apurados e aprofundados pela análise crítica do curador Paulo Herkenhoff, que também assina a publicação de mesmo nome.
No livro, Herkenhoff faz um aprofundado estudo sobre o significante fotográfico e seu estatuto poético. O curador dá sentido a cada imagem e ao conjunto delas, passando pela filosofia, pela literatura e pela história da arte. Ele traça conexões entre as fotografias-arte e teorias que passam pela fenomenologia de Edmund Hussel e do líder do pensamento na França Merleu-Ponty, chegando à relação comum entre o entendimento da fotografia proposto por Roland Barthes e a fenomenologia da imaginação de Gaston Bachelard. Isto para citar algumas das inúmeras referências de obras, pensadores, artistas, movimentos e conceitos que tecem o pensamento crítico de Herkenhoff.
|
|
| |
A mostra
O projeto da mostra surgiu no início de 2007, quando Fernando Leonardo e Carol se reuniram em Nova Iorque para discutir uma exposição que também se desdobrasse em uma discussão das relações entre imagem e teoria da cultura. A partir de fotografias particulares que indicavam certos interesses teóricos e situações de imagens, o grupo chegou às bases do formato da mostra apresentada em Curitiba e que já passou por Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).
“O título foi escolhido pelos três fotógrafos a partir da compreensão coletiva de que havia um segmento marcante na produção de cada um em que situações com a presença da água estabeleciam nexos entre eles”, explica Herkenhoff.
Os três fotógrafos
A americana Carol Armstrong nasceu em Nova Jersey e atualmente é professora de história da arte da Universidade de Yale (EUA), além de atuar como articulista da revista nova-iorquina Artforum. Ela é considerada uma das autoridades dos Estados Unidos em estudos relacionados ao gênero feminino, como pensadora da feminilidade e sua representação na criação artística. Em 2005 realizou a exposição Pink, abordando especificamente com suas fotografias a intercessão entre feminilidade e arte. Entre os prêmios que já recebeu destaca-se o Guggenheim Fellowship (1994-1995).
Já o carioca Fernando Azevedo é mestre em filosofia e história da arte pela City University de Nova Iorque, com especialização em pintura pelo Pratt Institute, em Nova Iorque. Embora com extensa carreira como curador de exposições de fotografia, crítico de arte e ilustrador, esta mostra marca sua primeira participação com a exibição de obras. Ele também já colaborou regularmente com as revistas Art Nexus e Arte Internacional, editada pelo Museu de Arte Moderna de Bogotá.
Bacharel em direito, com vivência na área empresarial, Leonardo Kossoy dedica-se às artes desde os anos 1960. Todo ano Kossoy fotografa pelo território do Mediterrâneo. Ele expõe regularmente em Nova Iorque, São Paulo e Rio de Janeiro. Desoriente: o Eu Nômade e SPANHAS/SPAINS estão entre seus trabalhos mais recentes no Brasil.
|
|
|