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Com curadoria de José Roberto Teixeira
Leite, a mostra traça um panorama da obra de Pancetti
(1902 -1958). São apresentados 45 trabalhos realizados
pelo artista entre as décadas de 30, 40 e 50. Precedendo
a abertura, haverá uma mesa redonda, às 18h,
com o objetivo de discutir a obra do artista. Além
do curador, participarão do evento os paranaenses Fernando
Velloso, Fernando Bini, Ennio Marques Ferreira, Adalice Araújo
e Maria José Justino. A entrada é gratuita.
Auto-Vida
e alguns quadros da série Lavadeiras do Abaeté
estão entre as obras apresentadas mais conhecidas do
público. A exposição é dividida
em cinco núcleos - retratos (auto-retratos), figuras,
marinhas, natureza-morta e outros autores.
Com
o objetivo de permitir uma visão ampla da trajetória
do artista, Teixeira Leite selecionou ainda 15 obras de artistas
que influenciaram ou foram influenciados por Pancetti e da
pintura de marinhas. Entre eles estão os paranaenses
Alfredo Andersen (1860-1935), Guido Viaro ( 1897-1971), Poty
Lazartto (1924-1998)e Miguel Bakun (1909-1963), cujas obras
pertencem ao acervo do Museu Oscar Niemeyer.
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Neste
núcleo também há uma obra de Bruno Lechowski
(1887-1941), considerado um dos principais mestres de Pancetti.
Teixeira Leite analisa que o artista foi influenciado sucessiva
ou simultaneamente por Cézanne e Van Gogh, entre as
décadas de 30 e 40, nas naturezas-mortas e nos auto-retratos.
Por Quinquella Martín e Albert Marquet nas marinhas,
cujas pinturas o impressionaram em uma exposição
francesa realizada, em 1940, no Rio de Janeiro.
"Mas,
foi a Bruno Lechowski que Pancetti mais ficaria devendo. Não
só do ponto de vista técnico como estilístico,
sendo significativo que como discípulo de Lechowski
foi que se apresentou no Salão Nacional de Belas Artes
de 1937. Tornou-se o discípulo que superou o mestre,
sem dúvida, mas que dele sorveu os melhores ensinamentos."
Henri
Nicolas Vinet (1817-1876), Nicolau Facchinetti (1824-1900),
João Batista Castagneto (1851-1900), Benedicto Calixto
(1853-1927), Mario Navarro Da Costa (1883-1931), Antonio Garcia
Bento (1897-1929) e Milton Dacosta (1915-1988) também
estão entre os artistas incluídos. |
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| Carreira
Artística |
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Teixeira
Leite aponta o início da carreira artística
de Pancetti, em 1932, dez anos após a Semana de Arte
Moderna, quando ingressou no Núcleo Bernardelli. Um
ateliê livre fundado no ano anterior e que funcionava,
de favor, nos porões da Escola Nacional de Belas Artes.
Nele,
não havia professores, mas mentores. Cada artista buscava
adquirir por conta própria recursos técnicos
e expressivos, orientados por pintores mais experientes ou
mesmo por colegas. Martinho de Haro, por exemplo, foi quem
primeiro falou de arte moderna a Pancetti.
"Formado
num tal ambiente, e sem jamais ter-se afastado, por temperamento,
da observação atenta dos seres e das coisas,
é compreensível que Pancetti jamais tenha sido
um inovador ou um revolucionário: marinhista e paisagista
por instinto, a vida inteira permaneceu fiel à natureza,
mesmo quando, na década de 50, inúmeros pintores,
inclusive amigos deles, viram-se atraídos para o abstracionismo."
De
acordo com o curador, foi nesse momento, que o artista despojou
ao máximo marinhas e paisagens, geometrizou frutas
e outros elementos de composição nas suas naturezas-mortas.
Além de adotar, "no profuso colorido das roupas
estendidas a secar, nas telas da série Lavadeiras do
Abaté, esquemas |
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cromáticos de livre invenção, tudo porém
sem renunciar à representação do que
tinha ante os olhos".
Por índole romântica, segundo o curador, Pancetti,
pode ser aproximado de pintores como Guignard ou Djanira.
Porém, deles se diferencia, por vezes beirando o dramático,
"ocasiões em que antes se aparenta a Segall".
Mas, segundo Teixeira Leite, foi antes de tudo um "grande
solitário na pintura brasileira".
"A
rigor não se pode enquadrar Pancetti nessa ou naquela
tendência estilística -a princípio os
modernos não o aceitavam por considerá-lo acadêmico,
enquanto os acadêmicos o repudiavam por achá-lo
moderno. Pancetti foi na verdade o grande solitário
da pintura brasileira: romântico e expressionista, sua
referência maior foi o mundo concreto, que todavia não
imitou nem simplesmente reproduziu, antes o recriando com
profunda emoção."
Porém
em um dos aspectos foi um inovador. Conforme ressaltou o crítico
Clarival Valladares, Pancetti "foi o primeiro e único
a enfrentar a paisagem de luz plena, a montar o cavalete sob
o sol a pino e a pretender, entre a paleta e a tela, o encontro
das cores da areia torrada, dum mar muito azul, dum céu
claro de cegar e das pedras emersas, escuras, limentas, brilhantes
feito espelho". |
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O Pintor Marinheiro
José Pancetti foi, portanto, um autodidata. Nascido
em Campinas em 1902, filho de imigrantes italianos,
teve uma infância paupérrima. Depois de
se transferir com a família para São Paulo,
em 1910, partiu em 1913 para a Itália para viver
com um dos tios. Sem vocação para o trabalho
no campo, estuda até o segundo ano do ginásio,
torna-se aprendiz de carpinteiro e em 1919 ingressa
na Marinha Mercante Italiana. No ano seguinte retorna
ao Brasil, desembarcando no Porto de Santos, litoral
de São Paulo.
Em Santos, exerce diversas atividades humildes como
operário têxtil, auxiliar de ourives, garçom,
trabalhador na rede de esgotos e faxineiro no Hotel
Guarujá. Até que em 1921 retorna para
São Paulo e depois segue para o Rio de Janeiro,
disposto a ingressar na Marinha de Guerra. Mas, somente
em 22 consegue afinal alistar-se.
Foi nesse contexto que Pancetti realizou suas primeiras
obras, consideradas "meras primícias"
-esboços de navios, pintados em caixas de fósforo
ou diminutos cartões para serem trocados por
cigarros com os colegas. Em 1926, passa a integrar o
quadro de pintores praticantes, executando serviços
de pintura em cascos e paredes das embarcações.
Por sua habilidade no manejo das tintas teve uma tonalidade
batizada com seu nome, o Verde Pancetti. Em 1950 foi
reformado na Marinha, no posto de segundo tenente. |
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