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A permissão ao toque e a possibilidade de sentir aromas e gostos, além de sons e da usual percepção visual das obras de arte, são o diferencial da mostra Poética da Percepção - questões da fenomenologia na arte brasileira, que estará aberta de 3 de setembro a 7 de dezembro. Depois do sucesso em São Paulo e Rio de Janeiro, todos os sentidos serão aguçados no Museu Oscar Niemeyer, que convida a todos, especialmente os portadores de necessidades especiais, para que experimentem a arte dentro das suas limitações. Com a curadoria de Paulo Herkenhoff, produção de Ana Gonçalves e patrocínio da VIVO, a mostra traz 28 obras de artistas consagrados, que permitem aos visitantes explorarem sensações peculiares.
No campo da audição, que também pode servir ao toque dos cegos, Amélia Toledo se utiliza de fios de nylon e conchas penduradas, formando a obra Gambiarra (1969). É um instrumento musical natural ao mesmo tempo que escultura. No “passeio sensorial” proposto por Herkenhoff, o espectador vai testar o olfato ao apreciar a obra de Hélio Oiticica, com seu Bólide Olfático (1967), um saco cheio de café remetendo à cor da escuridão e ao aroma da fruta. |
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Inusitada é a escultura da paranaense Eliane Prolik, No Mundo Não Há Mais Lugar (2001), em que ela oferece a possibilidade da interação por meio do paladar. Sua “máquina” contém esculturas comestíveis, como balas que se amoldam no céu da boca. Outras obras, em materiais diversos, também poderão ser tocadas por cegos - para que vivenciem a escultura - ou por qualquer outra pessoa que tenha a curiosidade de fazer o mesmo. Nas esculturas de Victor Brecheret (bronze), Sérgio Romagnolo (plástico modelado) e Raul Mourão (Lula com Alça, em pelúcia), o visitante poderá sentir diferentes texturas, temperaturas, acabamentos e solidez dos materiais.
Herkenhoff salienta que, com o neoconcretismo, a arte brasileira marca uma posição sobre a percepção ao assumir que “nenhuma experiência humana se limita a um dos cinco sentidos”. De acordo com o filósofo francês Merleau-Ponty, pelo contrário, no simbolismo do corpo “os sentidos se decifram uns aos outros”. |
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O Museu Oscar Niemeyer tomou as providências necessárias para a facilitação do acesso aos portadores de necessidades especiais, desde a chegada ao edifício até a mostra. As bancadas trazem legendas com informações em braile sobre as obras. Outra facilidade é a disposição espacial, que permite percorrer todas as obras num circuito único entre a entrada e a saída da exposição.
Curadoria
Paulo Herkenhoff foi curador do Museu de Arte Moderna de Nova York (1999-2002), da Fundação Eva Kablin, da 9ª Documenta de Kassel e da 24ª Bienal de São Paulo. É membro do Conselho do Instituto Arte na Escola da Fundação Iochpe. |
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