Com
curadoria de Agnaldo Farias, a mostra apresenta 100
peças, desde pequenas obras até esculturas
de três metros de altura – do artista plástico
Francisco Stockinger, de 86 anos, que vive e produz
em Porto Alegre (RS). A exposição individual
de Stockinger é acompanhada de um livro/catálogo
de 200 páginas, com tiragem de 1.500 exemplares.
Xico Stockinger, como é conhecido, é um
dos mais premiados autores sulistas de nossa modernidade
escultórica. Apontado como um dos maiores artistas
plásticos brasileiros, Stockinger é responsável,
ao lado de outros mestres como Sérgio Camargo,
Amílcar de Castro e Franz Weissmann, pela consolidação
e pelo avanço do pensamento plástico moderno
e contemporâneo.
O projeto de uma exposição dedicada à
obra de Francisco Stockinger, contemplando um significativo
conjunto de esculturas em bronze, se deve, segundo o
curador, à necessidade de se divulgar “uma
obra única pela maneira com que logra juntar
alta qualidade com uma natureza polimórfica”.
Para a mostra foram escolhidas três séries,
que apontam para as três principais trilhas perseguidas
pelo artista. A primeira consiste na série intitulada
Gabirus, originalmente |
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composta por 27 esculturas e que foi realizada em meados
da década de 90. A série refere-se às
famílias de miseráveis, encontradas no
sertão nordestino, que, em razão de uma
desnutrição crônica, se transformaram
em uma sub-raça de baixa estatura. Entre outras
indignidades, essas famílias alimentavam-se de
ratos, conforme amplamente divulgado pela imprensa à
época.
A segunda série, contrapondo-se à gravidade
da primeira, é composta por um conjunto de esculturas
longilíneas. Trata-se de um grupo de mulheres
cuja verticalidade remete ao “impulso vital que
as anima e que elas infundem ao espaço que as
rodeiam. São mulheres cuja monumentalidade contrasta
com o prosaísmo de suas poses, em uma prova incontestável
da eloqüência dos detalhes”, define
Farias.
Uma longa e tortuosa procissão de pequenas esculturas,
derivações de trabalhos anteriormente
realizados em terracota, disposta sobre uma grande mesa
compõe a terceira série. Mulheres, crianças,
casais copulando e animais é um “fervilhamento
de formas em si exuberantes, o resultado da liberdade
das mãos, inebriadas pelo contato com a matéria,
livres a plasmar a pujança da vida”. |