Se perguntam pela minha pintura, tenho de falar da minha vida toda, de pequenina até agora, nem começo nem acabo ... e nem tem sentido: tudo o que é está na Pintura ... que tento fazer.  
     
 
 
 
Broderie hongroise, 1946-1950
 
 
 
 

Concebida pela Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, de Portugal, a exposição exibe um conjunto de documentação inédita ou pouco conhecida. São imagens de fotógrafos profissionais, amigos e familiares; além de testemunhos da própria Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) e de quem com ela conviveu. Embora não gostasse de ser fotografada, o percurso fotobiográfico foi enriquecido com pinturas, desenhos e gravuras dela e do marido, o pintor húngaro Arpad Szenes. A mostra conta com o patrocínio da Agência de Fomento, COPEL, COMPAGAS, SANEPAR, CAIXA e o apoio do Ministério da Cultura e do Governo do Paraná.

 
Autoportrait, sem data
 
Rua do ouvidor, 1944

Percurso

Ao escrever que para falar de sua pintura era preciso falar de toda a vida, a artista fazia referência a tudo que viveu e o contexto em que se desenvolveu. Ainda menina viajou por diversas partes, o pai era um economista-diplomata. A paisagem branca da Suíça e a grande biblioteca herdada do pai foram sempre uma memória viva da infância e fatos marcantes em seu desenvolvimento. O branco daquela neve encontra-se presente nas obras da primeira fase de Vieira da Silva. Com a morte do pai, foi a mãe a melhor e maior companheira da artista, até ela se casar com Arpad Szenes. Ele a acompanhou por outros tantos lugares, inclusive o Brasil, onde permaneceram exilados, entre 1940 e 1947, devido a guerra na Europa.

Suíça, Inglaterra, França, Itália, Hungria, Portugal e Brasil estão entre os países por onde a artista portuguesa passou. Ao lado do marido, apesar de formarem um casal discreto, sempre foi cercada por amigos, artistas e intelectuais. Em sua fase brasileira destacam-se Carlos Drummond de Andrade, Carlos Scliar, Maria Saudade Cortesão, Ruben Navarra, Athos Bulcão e Martim Gonçalves. Levada a mudar de países por diversas razões, pelo mundo teve a oportunidade de conviver com as obras de Rembrandt, Chardin, Modigliani e Picasso. Em Paris, freqüentava regularmente o Louvre e absorvia o que havia de novo e moderno no mundo da arte, além de criar seus próprios referenciais com mestres de outras épocas e escolas.

 
Arécolte, 1943
 
A macumba, 1946

Considerado todo o contexto e os lugares que conheceu, sua obra guarda a impressão das experiências que viveu e das pessoas com quem conviveu. Uma trajetória que até hoje suscita curiosidade e admiração, criando-se a necessidade de conhecê-la mais intimamente. Daí a razão desta mostra oferecer mais do que a produção da artista portuguesa. Antes, reconstrói a evolução da obra a partir da intimidade do percurso de vida de Maria Helena Vieira da Silva, sob a ótica da mulher, da amiga e da ilustradora que também era artista.


 


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de terça a domingo, das 10h às 18h
venda de ingressos até 17h 30
R$4,00 inteira e R$2,00 estudantes identificados
(crianças de até 12 anos, maiores de 60 e grupos de estudantes de escolas
públicas, do ensino médio e fundamental, pré-agendados não pagam)