As 80 imagens da série Yanomami é parte do trabalho que consagrou definitivamente o nome da fotógrafa Claudia Andujar entre os profissionais mais conceituados no Brasil e no exterior. O acervo, a maior coleção da série, foi doado pela artista, em 1998, para o Museu da Fotografia, da Fundação Cultural de Curitiba. As fotografias desta série já foram exibidas nos principais eventos da área, incluindo a Foto da Espanha e Encontros da Imagem de Braga, em Portugal.

A série Yanomami é composta de três partes: a casa, a floresta e o invisível. Segundo a autora, a casa retrata “tudo o que se passa” no dia-a-dia, na casa comunitária, “o microcosmo dos Yanomami, palco da vida, da morte e de todos rituais”. A floresta aborda as viagens, pelo interior da mata, em busca de alimentos, por meio da caça, da pesca ou da coleta. O invisível relata a riqueza da vida espiritual dos Yanomami e seu encontro com o mundo dos espíritos.

As fotos, em preto e branco, foram produzidas entre 1971 e 1978, período em que a fotógrafa dedicou-se integralmente ao conhecimento e ao entendimento do povo Yanomami. A partir de 78, até 2000, Claudia Andujar passou a dividir o tempo com atividades de defesa do reconhecimento do território Yanomami, demarcado em 1992. Nesse período, a fotógrafa coordenou o projeto de demarcação da CCPY - Comissão Pró-Yanomami.

Hoje, a fotógrafa orgulha-se de ter sido criada, há um ano, a primeira organização genuinamente Yanomami, a Organização Não-Governamental Hutukara (Terra Ancestral). Focada na defesa da terra, da cultura e da saúde, a ONG é composta exclusivamente por integrantes Yanomami.

 
Releitura

Após a experiência de três décadas de intensa dedicação, Claudia Andujar atualmente permite-se fazer uma releitura do trabalho que desenvolveu. A partir desse novo olhar, a fotógrafa faz como que a síntese da contemplação das imagens das longas e curtas viagens pelo território Yanomami.

Nessa síntese, ela une elementos do passado ao presente, criando bricolagens das imagens e da ‘memória’. Diz que faz como os Yanomami, que estão “elaborando seus mitos, justificando-os, retrabalhando a história para ajustá-la ao novo”. “Uma bricolagem de adaptação e atualização dos tempos dos mitos primordiais. Sem esse passado, a sua história, a bricolagem cairia no vazio.”

Claudia Andujar explica que as fotos em exposição servem de base para o trabalho de bricolagem, iniciado em 1998. “Retrabalhei muito a parte do invisível, base de sua cultura , do seu mundo espiritual. Refotografei com cores, criei áudio visuais, superposições de imagens, inteferências do imaginário, sempre respeitando o que aprendi da cultura imemorial dos Yanomami.”


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