18.06.08


A arte vai à escola
Museu Oscar Niemeyer serviu de referência para projeto de arte-educação. Proposta envolveu 100% dos alunos, funcionários e representantes da comunidade que freqüenta o Colégio Estadual Prof°. Brasílio Vicente de Castro, da Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
A estudante Fernanda exibe o catálogo que ganhou, ao lado de Maristela Requião e German Lorca
Oitenta alunos, de 14 a 18 anos, dos colégios estaduais Brasílio Vicente de Castro e Emílio de Menezes, participam na próxima segunda-feira (23), às 18h30, da abertura da exposição Arte do Japão – Do Moderno ao Contemporâneo, no Museu Oscar Niemeyer, que comemora os “100 anos da Imigração Japonesa no Brasil”. Aproximar a arte de estudantes, professores e da comunidade é parte do trabalho que o Museu desenvolve, desde 2004, através da coordenação de Ação Educativa, por meio de oficinas gratuitas relacionadas às exposições exibidas. A partir do envolvimento de todos os segmentos de público, o projeto pretende despertar, estimular jovens talentos e garantir novas platéias, com a formação de uma cultura de arte.

“Ela tinha curiosidade de conhecer. Ouvia o irmão contar dos passeios com a escola ao Museu”

Lúcia Maria Delattre, com a filha Ana Luzia, de 7

A experiência de ter grupos de estudantes na abertura, junto de artistas, curadores, convidados e jornalistas, teve início na última quinta-feira (12). Quarenta adolescentes, de 14 a 18 anos, da escola Brasílio Vicente de Castro, participaram da noite de abertura da mostra German Lorca – Fotografia como Memória. Acompanhados da idealizadora do projeto na escola, a professora Sandra Anália dos Santos, e de outros funcionários do colégio, para alguns era a primeira vez que entravam em um museu. “Sejam bem-vindos. Nós do Museu ficamos muito felizes que estejam aqui nesta mostra de fotografias, belíssimas, de German Lorca, um importante personagem na história fotográfica brasileira”, disse ao recebê-los a presidente do Museu, Maristela Requião.

“Sempre via falar do Museu pela televisão. Moro em Curitiba, mas não conhecia pessoalmente. Aceitei o convite na hora. A gente tem que aproveitar as oportunidades”, afirmou Lucia Maria da Silva Delattre, de 42 anos, que trabalha na secretaria da escola e estava acompanhada da filha de sete anos, Ana Luzia. “Ela tinha curiosidade de conhecer. Ouvia o irmão contar dos passeios com a escola ao Museu.” “Gostei de tudo”, resumiu rapidamente Ana, até mostrar as duas imagens que mais lhe chamaram a atenção: os retratos das meninasde vestidos brancos – Lenora Barros ( 1960) e Fabiana Barros (1960).

Aluna do PROEJA, Ofélia Stigar mostra seu autógrafo
Prof° Anália e seu filho, ladeando German Lorca
“Achei interessante as fotografias dele (Lorca). Mostram bem o cotidiano das pessoas. Ele coloca muito bem a emoção”, disse precisa Fernanda Manoela, de 15 anos, aluna da 1a. série do ensino médio. Ela foi premiada com o catálogo de fotografias de German Lorca, sorteado entre os estudantes. Auxiliar de serviços gerais do colégio e aluna do Proeja – um programa nacional de educação de jovens e adultos, Ofélia Stigar, também entusiasmou-se e garantiu o autógrafo de Lorca na contracapa do folder da exposição, que exibiu orgulhosa na foto.
German Lorca entre estudantes, professores e funcionários do colégio e do Museu

Mudança comportamental com envolvimento de todos

A iniciativa de repercutir e ampliar para a escola e a comunidade o aprendizado adquirido na participação em oficinas e nas visitas às exposições do Museu Oscar Niemeyer é parte do projeto de arte-educação, iniciado em 2006 na exposição Eternos Tesouros do Japão, pela professora Sandra Anália dos Santos. O resultado foi apresentado no último dia 11 de junho, com a exibição de uma mostra sobre o centenário da imigração japonesa, no Colégio Estadual Prof. Brasílio Vicente de Castro.

Os trabalhos foram realizados com “muita criatividade”, a partir de materiais de reciclagem e de origem caseira. “Eles fizeram uma grande pesquisa prática artística, aplicada em diversos segmentos: dramaturgia, performances, caracterização de personagens pela maquiagem, confecção de peças da indumentária japonesa, até chegar nas artes visuais, através da realização de desenhos, pinturas, gravuras, instalações, maquetes e estudos geográfico e histórico. Uma verdadeira aula de antropologia artística”, constatou Rosemeri Bittencourt Franceschi, que visitou a mostra escolar ao lado de Sirlei Espíndola e Solange Rosenmann, responsáveis pela coordenação de Ação-Educativa, Monitoria e pela realização das oficinas, no Museu Oscar Niemeyer.


Estudantes são recepcionados pela presidente do Museu

Grupo de amigos faz pose para foto
“Ficou perceptível a aplicação de técnicas aprendidas nas oficinas do Museu e as referências a artistas e exposições, como Eternos Tesouros do Japão, J.Borges, Gilvan Samico e Roberto Linsker”, completou Rosemeri. Para alcançar esse resultado, a professora usou como estratégia o envolvimento dos 1,9 mil alunos, professores, funcionários, pais e representantes da comunidade. “Desde a abertura do Museu levo meus alunos para uma aula extra-classe. Depois vou ao corpo docente para avaliar como podemos fazer trabalhos interdisciplinares e monto a estratégia de ação com os educandos.” Sandra Anália afirma que o trabalho mudou até comportamentos.

“Quando a aula extra-classe acontece é cheia de surpresas. Percebo o deslumbre dos alunos perante tantas novidades (...). A chegada no colégio é uma festa. Na aula seguinte, os comentários na aula de matemática, de arte ou ainda com a professora de português (...). Normalmente, trabalhamos um bom período após a aula extra-classe, e percebo a modificação até de comportamento entre eles. Já houve o resgate de alunos ditos problemas”, escreveu Sandra Anália sobre a experiência.

Desde a abertura do Museu Oscar Niemeyer, permitir e ampliar o acesso ao maior número possível de estudantes, professores e outros grupos de inclusão agendados têm sido uma das principais metas da instituição. A venda de bilhetes de meia entrada –para estudantes identificados com carteirinha –, e de cortesia – para grupos franqueados – ultrapassam o número de visitantes que pagam a entrada inteira. Somente em 2007, o número de visitantes que entrou com carteirinha de estudante superou a marca de 32 mil pessoas, do total de 164 mil no ano. Enquanto que as cortesias somaram mais de 80 mil. Não pagam ingressos crianças de até 12 anos, maiores de 60 anos e grupos agendados de estudantes de escolas públicas, do ensino médio e fundamental. A entrada também é franqueada a todo o público no primeiro domingo de cada mês.   

       

 


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