20/09/07
Volpi
será tema de palestra e mesa redonda no Museu
Oscar Niemeyer
O Museu Oscar Niemeyer promove neste final de semana
uma grande discussão sobre a vida e obra de
Alfredo Volpi (1896-1988). “Reflexões
sobre Volpi –O mestre de sua época”
é o título da palestra a ser realizada
nesta sexta-feira (21), a partir das 19h30, por Olívio
Tavares de Araújo, curador da exposição
“Volpi –O mestre de sua época”,
em cartaz no Museu até meados de outubro.
O
curador e crítico Tavares de Araújo
é um dos maiores especialistas do País
na obra de Volpi. Como curador organizou as principais
mostras do artista, além de ter produzido filmes
e livros sobre a obra e a vida do pintor. Tavares
de Araújo tratará em sua palestra sobre
essa vasta experiência como curador de mostras
de Volpi e, ao mesmo tempo, traçará
paralelos sobre a importância dele como artista.
No sábado (22), a partir das 10h30, acontece
uma mesa redonda com a participação
de Marco Mello, professor de Artes e Estética
da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Geraldo
Leão, artista plástico e professor do
departamento de Artes da UFPR, e de Andrés
Hernández, coordenador executivo da curadoria
do Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo.
As duas atividades terão entrada gratuita e
estão relacionadas a exposição
do mestre Volpi, a primeira retrospectiva do artista
em Curitiba. Após a realização
da mesa redonda, os participantes farão uma
visita pela exposição acompanhada pelo
curador Tavares de Araújo.
Os três participantes abordarão diferentes
aspectos sobre a obra do pintor. O professor Geraldo
Leão ressalta que Volpi foi pouco compreendido
e valorizado em sua época devido ao ambiente
crítico daquele momento artístico no
País. “O ambiente crítico da época
pregava um modo de pintura nacional que era o que
Di Cavalcanti fazia e completamente diferente do que
o Volpi fazia. Esse ambiente fez com que Volpi tivesse
dificuldade de ser entendido como o artista maravilhoso
que era. Na minha opinião, o melhor pintor
brasileiro e, até hoje, permanece a visão
simplista de “pintor de bandeirinha”.
Mello pretende traçar a relação
entre a obra de Volpi e os possíveis diálogos
com outros artistas nacionais e internacionais como
Guignard, Di Cavalcanti e Morandi, por exemplo. “Pela
importância e abrangência dessa exposição,
podemos ver uma quantidade representativa de obras
de outras décadas como de 30 e 40, que não
são as mais conhecidas como das décadas
de 50, 60 e 70. Isso me permitiu fazer um estudo inédito,
onde estabeleço novas leituras e abordagens
da obra”, explica o professor.
Complementando essas análises, Hernández,
da curadoria do MAM, vai falar sobre a organização
dessa mostra retrospectiva de Volpi, apontada como
uma das mais completas e abrangentes. A retrospectiva
foi apresentada primeiro no MAM em São Paulo,
passou por Buenos Aires e, desde junho, está
em exibição no Museu Oscar Niemeyer,
em Curitiba. Após a exposição
de cada uma das abordagens será aberta às
perguntas do público e, logo em seguida, os
participantes farão a visita pela mostra.

Exposição
Volpi
Com 117 pinturas em exibição, a exposição
apresenta uma significativa retrospectiva da obra
de Volpi. Um empreendimento de fôlego que exibe
meio século da produção do pintor,
do final de 1920 ao final de 1970. Esta é a
primeira mostra individual do artista em Curitiba.
“Tentei selecionar alguns dos mais belos vôlpis
de que se tem conhecimento, escolhidos um a um por
suas qualidades”, afirma Tavares de Araújo.
O
curador organizou sua seleção a partir
de dois focos centrais: demonstrar a grande atualidade
da proposta artística de Volpi, “um artista
intuitivo, nunca um intelectual, que se interessou
pelos elementos formais como composição,
luz e cor”, e demonstrar que Volpi foi “um
artista original ao descobrir e inventar seus caminhos
a partir e dentro de sua própria trajetória,
sem estar balizado por nenhuma determinação
exterior”.
Devido a origem social de imigrante italiano, o artista
não fez parte do movimento modernista brasileiro.
Segundo o curador, do grupo de artistas da Semana
de Arte Moderna de 22, Volpi estava separado, em primeiro
lugar pela questão social. Imigrante humilde,
ele “lutava arduamente pela vida”, em
um momento em que os intelectuais e os patronos da
Semana a realizavam. Era um simples operário,
um pintor-decorador de paredes.
Serviço:
Palestra – “Reflexões sobre Volpi
–O mestre de sua época”, sexta-feira
(21), a partir das 19h30
Mesa Redonda, sábado (22), a partir das 10h30
Entrada Gratuita
Onde:
auditório do Museu Oscar Niemeyer
Endereço: Rua Marechal Hermes, 999
Centro Cívico – CEP: 80530-230
Telefone: (41) 3350-4400
Horário: de terça a domingo, das 10h
às 18h