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Os caminhos do passe integrado

João Ivo Caleffi

 

A integração do passe de ônibus entre Maringá, Sarandi e Paiçandu não é uma luta apenas do  coordenador da  Região Metropolitana. É uma luta dos poderes constituídos e da sociedade organizada dos três municípios conurbados.

Não se conhece com precisão o número de pessoas que utilizam as linhas metropolitanas para transitar entre essas cidades  Mas segundo estimativas do prefeito Moacir Oliveira, são cerca de 10 mil passageiros de Paiçandu e na estimativa do prefeito Cido Spada, em torno de 20 mil de Sarandi.

A falta de integração cria um problema social muito sério, como a indisfarçável discriminação dos trabalhadores de Sarandi e Paiçandu. Isto porque , sai mais barato para o empregador de Maringá contratar trabalhadores da cidade pólo . Independente do bairro aonde reside, ele chega ao emprego com apenas um passe, enquanto quem mora em Sarandi ou Paiçandu tem que pagar o segundo embarque, devido exatamente a falta de integração. De tal modo que, a ida e a volta de qualquer habitante das duas cidades vizinhas que trabalhe em Maringá, acabará redundando no pagamento de quatro passagens.

É com o intuito de corrigir tamanha distorção , que estamos empenhados na luta pela integração do transporte coletivo entre as cidades da Região Metropolitana de Maringá,que há muito estão com suas áreas urbanas emendadas. E a integração que busco desde minha nomeação pelo governador Roberto Requião já conta com o apoio maciço da sociedade organizada da região. Montamos um dossiê com apoios formais de entidades e instituições públicas, como  Amusep,  UEM,  OAB, Arquidiocese, Ordem dos Pastores, sindicatos de trabalhadores e representantes do setor empresarial.

Apóiam a integração também, prefeitos e câmaras de vereadores das três cidades,inclusive Maringá. Vale lembrar que a posição de Maringá é muito importante, pois a Prefeitura é o poder concedente do transporte coletivo urbano local, onde de fato se daria a integração com as linhas metropolitanas.

A empresa alega possibilidade de desiquilíbrio financeiro com a perda do segundo embarque. Mas não acreditamos nessa hipótese, uma vez que a integração vai na linha da valorização do transporte público,  implicando num quase automático aumento de demanda. Para o município de Maringá, é bom que se diga, não haverá custo adicional, posto que a integração se dá via eletrônica, nos cartões magnéticos já utilizados por passageiros das linhas internas e também das metropolitanas.

A discriminação social que decorre da falta de integração  é fato concreto. Um exemplo claro disso é o que ocorre na construção civil. Segundo o sindicato dos trabalhadores, um número considerável de serventes e pedreiros de Sarandi que trabalham em Maringá, omitem o domicílio na hora da contratação, temendo perder a vaga devido ao encarecimento do transporte, uma vez que é a empresa que banca a maior parte (em torno de 48%) do vale transporte.

Deixo claro que não estou alheio à preocupação da empresa com um possível impacto inicial na tarifa. Mas volto a lembrar os indicativos de compensação pela aumento de demanda, que são muito evidentes. E, ao mesmo tempo em que busco apoio político para esta luta, corro atrás de apoio técnico que torne irreversível a integração, se possível pela via da negociação.

 

* João Ivo Caleffi é Coordenador da Região Metropolitana de Maringá